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CONGRESSO NACIONAL DOS EMPREGADOS DA CAIXA (CONECEF)
TESE
DA CENTRAL DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL (CTB)
Conjuntura
Internacional
América
Latina, Brasil sob o alvo do imperialismo
Um terrível golpe contra a
democracia foi dado, decorrente da dura e acirrada luta política em
curso no país, derivada da luta de classes, do confronto de dois
projetos de Nação. Acontece que os processos históricos nacionais,
sobretudo de países do porte do Brasil, estão cada vez mais
imbricados com uma realidade mundial marcada por lutas para que se
alterem suas relações de poder e pela dominância da lógica
financeira, rentista, no âmbito de uma economia interligada e
crescentemente globalizada. Assim, a luta política em andamento só
pode ser compreendida em sua totalidade – situando o Brasil, a
América Latina, e mesmo os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul) – no contexto de um mundo regido por uma crise
estrutural e sistêmica do capitalismo que se estende para seu sétimo
ano.
Os
trabalhadores e os povos resistem à dominação da oligarquia
financeira e das forças pró-imperialistas. O mundo também se
encontra envolto por uma luta entre países e blocos de países, da
qual resultará o desfecho da atual transição em curso no mundo. O
imperialismo estadunidense eleva a agressividade para tentar conter
sua trajetória de declínio relativo e manobra buscando relançar
sua hegemonia.
Nesse
sentido, ganha destaque na situação internacional uma ação das
potências imperialistas lideradas pelos EUA para conter e agredir
qualquer país que contrarie seus interesses. A aliança EUA-União
Europeia-OTAN atua para cindir os países BRICS, seja cooptando-os –
como buscam os EUA em relação à Índia e parece que conseguirá
com o Brasil –, seja agindo para tentar neutralizar e conter a
Rússia, seja investindo contra a aliança da China e da Rússia, que
promove a integração euroasiática. Também o Irã, a Síria e
outras nações da América Latina e Caribe, destacadamente Cuba,
Venezuela, estão submetidos a forte pressão econômica com
expressivo componente exógeno e de guerra midiática. Na Argentina,
essa tática alcançou o objetivo esperado pelo imperialismo e o novo
governo neoliberal encareceu o custo de vida, está aplicando medidas
que envolvem diminuições de custos do governo, inclusive com
demissões em massa ao mesmo tempo em que renegociam a dívida dos
fundos abutres, diminuem taxações de lucros e repreendem os
movimentos populares. Apesar de mal ter chegado ao governo, no
Brasil, o golpista empossado e seus ministros já sinalizaram aos EUA
interesse em voltar ao seu papel subalterno
Os
BRICS têm agido diretamente no sentido de acelerar a transição nas
relações de poder no mundo em direção à multipolarização. Sua
Cúpula em Fortaleza (julho de 2014) foi marca importante desse
movimento, ao definir a constituição de meios para aprofundar a
mudança na ordem econômica internacional, ao constituir um Banco de
desenvolvimento e um Fundo de reservas para proteger suas economias
nacionais. Agora esse banco começa a operacionalizar financiamentos
em infraestrutura.
Quanto
à crise do capitalismo, apesar de ideólogos desse sistema
anunciarem que uma luz já estaria a brilhar no fim do túnel,
baseados sobretudo numa frágil retomada da economia dos Estados
Unidos da América, o fato é que o cenário geral ainda é de baixo
crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) mundial segue com
desempenho fraco, em 2015 cresceu abaixo dos 3% previstos, chegando
apenas a 2,4%. Algo que já vinha ocorrendo nos 3 anos anteriores. A
previsão pra esse ano não é muito diferente 2,9%.
Duas
questões importantíssimas não se alteraram ao longo desse percurso
que chega ao seu oitavo ano. Primeiro: a lógica financeira,
rentista, segue no comando dos Estados nacionais da maioria dos
países, sobretudo do centro capitalista. De “posse” desses
Estados, aplica políticas para salvaguardar os ganhos fabulosos dos
conglomerados financeiros e jogar o ônus da crise sobre os ombros
dos povos e dos trabalhadores. Segundo: a crise agrava a desigualdade
social já alarmante e eleva o desemprego. Dados da OIT prognosticam
que nos próximos quatro anos o mundo terá 11 milhões de
desempregados a mais. Assim, em 2019, não terão emprego 219 milhões
de trabalhadores.
Os
grandes países em desenvolvimento que haviam se safado razoavelmente
dos efeitos dos primeiros anos da crise, desde 2011, agora são
atingidos mais duramente. A China, em 2015, reduziu seu crescimento
para cerca de 7% ao ano e deve seguir o mesmo esse ano. – número
significativo, entretanto menor em comparação aos índices acima de
um dígito verificados desde o final dos anos 1970; já a Rússia
provavelmente terá índice negativo de crescimento mais uma vez; a
América Latina terá uma contração de 0,5% no seu PIB. Um fator
importante que concorre para a queda do PIB de países como Rússia,
Venezuela e Irã é a forte queda do preço do petróleo. O Brasil é
duramente atingido pela redução drástica do preço das commodities
que exporta, tais como minério de ferro e soja, e pela crise
política que o assola.
Na
esfera da correlação de forças entre os campos políticos, pode-se
afirmar que a crise, apesar de pôr a nu os limites históricos do
capitalismo, e a despeito da luta e resistência dos povos, fortalece
em plano mundial as forças conservadoras e reacionárias. No cômputo
geral, as forças avançadas seguem atuando sob defensiva
estratégica. Na Europa, por um lado, há o fortalecimento da
contestação popular às medidas neoliberais de “austeridade”,
com greves e protestos dos trabalhadores, e casos de rechaço
eleitoral às forças que defendem a política do capital financeiro,
como foi o caso da Grécia onde houve a vitória eleitoral do Syriza,
e como é o caso da Espanha, onde crescem forças como o Podemos e a
Esquerda Unida. Por outro lado, o que
prevalece
e se robustece ainda é o bloco de forças da direita, além da
persistente ação de forças de extrema-direita como aqueles que
atuam em países como França, Alemanha, Reino Unido e Grécia.
Na
América Latina e Caribe há uma escalada da direita e do
imperialismo para tentar pôr um fim aos governos de esquerda e
progressistas da região. Utilizam variados meios e novas e velhas
táticas, como a guerra midiática, a guerra econômica, a
judicialização da política, os intentos de golpe de Estado, as
ameaças de agressão militar, o apoio e o financiamento externo da
oposição, dentre outros, para tentarem lograr as “mudanças de
regime” que almejam. Note-se que três dos principais países da
América do Sul – Argentina, Brasil, Venezuela – passaram por
situações políticas críticas e foram alvos dessa
investida.
Cada um com singularidades, mas tendo em comum a forte influência de
fatores externos, sendo que na Argentina o projeto neoliberal chegou
ao poder por via democrática, no Brasil através de um golpe
institucional e na Venezuela o governo continua com a esquerda, mas o
parlamento eleito é de maioria de direita conservadora e
antinacional.
Mesmo
sob essa interveniência do imperialismo, desde 2013 as forças de
esquerda e progressistas venceram as eleições presidenciais no
Chile, em El Salvador, na Bolívia, no Brasil e no Uruguai. Essas
vitórias políticas e os passos dados do processo de integração
continental, como Mercado Comum do Sul (Mercosul), União de Nações
Sul-Americanas (Unasul) e Comunidade de Estados Latino-Americanos e
Caribenhos (Celac), propiciaram melhores condições à resistência
e à jornada de lutas dos povos latino-americanos e caribenhos.
Entretanto, a disputa política em torno dos rumos da América Latina
e Caribe, sobretudo da América do Sul, ameaça essas conquistas, e
com isso, as soberanias e a autonomia alcançadas. Diante disso é
necessário reagir integradamente contra os avanços da direita
neoliberal e impulsionar a unidade das forças populares e
progressistas e as ações de solidariedade internacional em seu
âmbito.
No
caso brasileiro, essa interferência do imperialismo se intensificou
desde a
descoberta
da riqueza do pré-sal e ganhou visibilidade na espionagem da CIA em
instituições e empresas do governo brasileiro, reveladas em 2013 –
o que levou a presidenta Dilma a cancelar uma viagem oficial já
marcada a Washington. Na campanha sucessória de 2014, organismos
multilaterais hegemonizados pelos Estados Unidos, como é o caso do
Fundo Monetário Internacional (FMI), e veículos da grande mídia,
porta-vozes da oligarquia financeira, como é caso da revista
britânica The Economist, se imiscuíram indevidamente no debate
eleitoral em favor do candidatado tucano. No início de 2015,
proliferaram análises nos principais meios de comunicação global,
como The Economist, Financial Times ou Time, colocando o Brasil no
alvo e até mesmo fazendo ilações sobre a interrupção do mandato
da presidenta Dilma.
Em
suma, a desestabilização do governo Dilma, embora tenha seguido uma
dinâmica
muito própria da luta de classes no país, envolvendo a velha tática
da bandeira contra a corrupção, faz parte, inegavelmente, de uma
investida mais ampla do imperialismo para tentar derrotar o ciclo
progressista em vigor por mais de 16 anos na América no Sul.

