PROPOSTA DECENTE OU GREVE!
Manifesto da CTB Bancários aos bancários e bancárias e ao povo brasileiro
A Campanha Nacional dos Bancários chegou a um momento decisivo. Depois de sucessivas rodadas de negociação, a categoria rejeitou massivamente a proposta dos bancos e realizou, em 20 de agosto, uma paralisação nacional de 24 horas. O recado foi dado. Agora é hora de a Fenaban apresentar uma proposta decente e concluir a campanha.
Os bancos estão entre os setores mais lucrativos da economia brasileira. A extraordinária produtividade alcançada com a digitalização, a automação e as novas tecnologias é resultado também do trabalho de milhares de bancários e bancárias. Não há justificativa para negar aumento real dos salários, valorização dos pisos, PLR justa, melhores condições de trabalho e garantia dos direitos conquistados.
Nos bancos privados, a defesa do emprego tornou-se uma questão central. Demissões, fechamento de agências e unidades, sobrecarga, metas abusivas e utilização da tecnologia para reduzir postos de trabalho precisam ser enfrentados. Tecnologia deve melhorar a vida de quem trabalha, não produzir desemprego e precarização.
A defesa do emprego exige também enfrentar a fragmentação da categoria bancária. Cerca de 800 mil trabalhadores do ramo financeiro estão hoje fora da Convenção Coletiva dos Bancários, muitos em atividades terceirizadas, pejotizadas ou deslocadas para empresas dos próprios conglomerados, com menos direitos e maior precarização. Esse processo atinge bancos públicos e privados. Defender o emprego é também defender o pertencimento à categoria bancária e a extensão de seus direitos aos trabalhadores do ramo financeiro.
No Banco do Brasil, é preciso apresentar imediatamente respostas econômicas e avançar nas reivindicações específicas. Isso significa defender e fortalecer a Cassi, com maior responsabilidade do banco por sua sustentabilidade e custeio, e enfrentar um modelo de gestão por metas que aumenta a pressão, favorece o adoecimento e repercute inclusive sobre a remuneração dos funcionários. Banco público forte exige trabalhador valorizado.
Na Caixa, a solução do Saúde Caixa não pode mais ser adiada. A CTB Bancários chama diretamente à responsabilidade a direção da Caixa e a área econômica do Governo Federal. É necessário superar o teto estatutário de 6,5% da folha e construir uma solução sustentável que recupere o princípio histórico do 70/30 de custeio (empresa/empregados), preservando a solidariedade entre ativos, aposentados e dependentes. Da mesma forma, o Super Caixa precisa ter regras transparentes e negociadas, reconhecendo efetivamente o trabalho realizado: vendeu, recebeu.
No Banco do Nordeste, é necessário avançar na revisão do PCR, na valorização da carreira, na remuneração e na PLR, fortalecendo também os trabalhadores que fazem do BNB um instrumento estratégico do desenvolvimento regional.
A CTB Bancários dirige-se também ao povo brasileiro porque esta luta ultrapassa os locais de trabalho. Defender emprego bancário, atendimento à população e bancos públicos fortes é defender um sistema financeiro voltado ao desenvolvimento do país, e não exclusivamente à ampliação dos lucros.
Os bancários querem negociar e querem acordo. Mas a responsabilidade pela solução está agora nas mãos dos bancos. A paralisação de 20 de agosto demonstrou que a categoria está unida e disposta a lutar.
Na próxima rodada, a Fenaban, o Banco do Brasil, a Caixa e o BNB precisam responder às reivindicações dos trabalhadores.
O dia 20 foi o recado.
Agora queremos a resposta.
PROPOSTA DECENTE OU GREVE!
CTB BANCÁRIOS
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil


