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sábado, 4 de junho de 2016

Tese da CTB ao 32º CONECEF - Conjuntura e defesa da Caixa 100% Pública

32° CONGRESSO NACIONAL DOS EMPREGADOS DA CAIXA (CONECEF)

TESE DA CENTRAL DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL (CTB)



Conjuntura Internacional


América Latina, Brasil sob o alvo do imperialismo

Um terrível golpe contra a democracia foi dado, decorrente da dura e acirrada luta política em curso no país, derivada da luta de classes, do confronto de dois projetos de Nação. Acontece que os processos históricos nacionais, sobretudo de países do porte do Brasil, estão cada vez mais imbricados com uma realidade mundial marcada por lutas para que se alterem suas relações de poder e pela dominância da lógica financeira, rentista, no âmbito de uma economia interligada e crescentemente globalizada. Assim, a luta política em andamento só pode ser compreendida em sua totalidade – situando o Brasil, a América Latina, e mesmo os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) – no contexto de um mundo regido por uma crise estrutural e sistêmica do capitalismo que se estende para seu sétimo ano.

Os trabalhadores e os povos resistem à dominação da oligarquia financeira e das forças pró-imperialistas. O mundo também se encontra envolto por uma luta entre países e blocos de países, da qual resultará o desfecho da atual transição em curso no mundo. O imperialismo estadunidense eleva a agressividade para tentar conter sua trajetória de declínio relativo e manobra buscando relançar sua hegemonia.

Nesse sentido, ganha destaque na situação internacional uma ação das potências imperialistas lideradas pelos EUA para conter e agredir qualquer país que contrarie seus interesses. A aliança EUA-União Europeia-OTAN atua para cindir os países BRICS, seja cooptando-os – como buscam os EUA em relação à Índia e parece que conseguirá com o Brasil –, seja agindo para tentar neutralizar e conter a Rússia, seja investindo contra a aliança da China e da Rússia, que promove a integração euroasiática. Também o Irã, a Síria e outras nações da América Latina e Caribe, destacadamente Cuba, Venezuela, estão submetidos a forte pressão econômica com expressivo componente exógeno e de guerra midiática. Na Argentina, essa tática alcançou o objetivo esperado pelo imperialismo e o novo governo neoliberal encareceu o custo de vida, está aplicando medidas que envolvem diminuições de custos do governo, inclusive com demissões em massa ao mesmo tempo em que renegociam a dívida dos fundos abutres, diminuem taxações de lucros e repreendem os movimentos populares. Apesar de mal ter chegado ao governo, no Brasil, o golpista empossado e seus ministros já sinalizaram aos EUA interesse em voltar ao seu papel subalterno

Os BRICS têm agido diretamente no sentido de acelerar a transição nas relações de poder no mundo em direção à multipolarização. Sua Cúpula em Fortaleza (julho de 2014) foi marca importante desse movimento, ao definir a constituição de meios para aprofundar a mudança na ordem econômica internacional, ao constituir um Banco de desenvolvimento e um Fundo de reservas para proteger suas economias nacionais. Agora esse banco começa a operacionalizar financiamentos em infraestrutura.

Quanto à crise do capitalismo, apesar de ideólogos desse sistema anunciarem que uma luz já estaria a brilhar no fim do túnel, baseados sobretudo numa frágil retomada da economia dos Estados Unidos da América, o fato é que o cenário geral ainda é de baixo crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) mundial segue com desempenho fraco, em 2015 cresceu abaixo dos 3% previstos, chegando apenas a 2,4%. Algo que já vinha ocorrendo nos 3 anos anteriores. A previsão pra esse ano não é muito diferente 2,9%.

Duas questões importantíssimas não se alteraram ao longo desse percurso que chega ao seu oitavo ano. Primeiro: a lógica financeira, rentista, segue no comando dos Estados nacionais da maioria dos países, sobretudo do centro capitalista. De “posse” desses Estados, aplica políticas para salvaguardar os ganhos fabulosos dos conglomerados financeiros e jogar o ônus da crise sobre os ombros dos povos e dos trabalhadores. Segundo: a crise agrava a desigualdade social já alarmante e eleva o desemprego. Dados da OIT prognosticam que nos próximos quatro anos o mundo terá 11 milhões de desempregados a mais. Assim, em 2019, não terão emprego 219 milhões de trabalhadores.

Os grandes países em desenvolvimento que haviam se safado razoavelmente dos efeitos dos primeiros anos da crise, desde 2011, agora são atingidos mais duramente. A China, em 2015, reduziu seu crescimento para cerca de 7% ao ano e deve seguir o mesmo esse ano. – número significativo, entretanto menor em comparação aos índices acima de um dígito verificados desde o final dos anos 1970; já a Rússia provavelmente terá índice negativo de crescimento mais uma vez; a América Latina terá uma contração de 0,5% no seu PIB. Um fator importante que concorre para a queda do PIB de países como Rússia, Venezuela e Irã é a forte queda do preço do petróleo. O Brasil é duramente atingido pela redução drástica do preço das commodities que exporta, tais como minério de ferro e soja, e pela crise política que o assola.

Na esfera da correlação de forças entre os campos políticos, pode-se afirmar que a crise, apesar de pôr a nu os limites históricos do capitalismo, e a despeito da luta e resistência dos povos, fortalece em plano mundial as forças conservadoras e reacionárias. No cômputo geral, as forças avançadas seguem atuando sob defensiva estratégica. Na Europa, por um lado, há o fortalecimento da contestação popular às medidas neoliberais de “austeridade”, com greves e protestos dos trabalhadores, e casos de rechaço eleitoral às forças que defendem a política do capital financeiro, como foi o caso da Grécia onde houve a vitória eleitoral do Syriza, e como é o caso da Espanha, onde crescem forças como o Podemos e a Esquerda Unida. Por outro lado, o que
prevalece e se robustece ainda é o bloco de forças da direita, além da persistente ação de forças de extrema-direita como aqueles que atuam em países como França, Alemanha, Reino Unido e Grécia.


Na América Latina e Caribe há uma escalada da direita e do imperialismo para tentar pôr um fim aos governos de esquerda e progressistas da região. Utilizam variados meios e novas e velhas táticas, como a guerra midiática, a guerra econômica, a judicialização da política, os intentos de golpe de Estado, as ameaças de agressão militar, o apoio e o financiamento externo da oposição, dentre outros, para tentarem lograr as “mudanças de regime” que almejam. Note-se que três dos principais países da América do Sul – Argentina, Brasil, Venezuela – passaram por situações políticas críticas e foram alvos dessa
investida. Cada um com singularidades, mas tendo em comum a forte influência de fatores externos, sendo que na Argentina o projeto neoliberal chegou ao poder por via democrática, no Brasil através de um golpe institucional e na Venezuela o governo continua com a esquerda, mas o parlamento eleito é de maioria de direita conservadora e antinacional.

Mesmo sob essa interveniência do imperialismo, desde 2013 as forças de esquerda e progressistas venceram as eleições presidenciais no Chile, em El Salvador, na Bolívia, no Brasil e no Uruguai. Essas vitórias políticas e os passos dados do processo de integração continental, como Mercado Comum do Sul (Mercosul), União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), propiciaram melhores condições à resistência e à jornada de lutas dos povos latino-americanos e caribenhos. Entretanto, a disputa política em torno dos rumos da América Latina e Caribe, sobretudo da América do Sul, ameaça essas conquistas, e com isso, as soberanias e a autonomia alcançadas. Diante disso é necessário reagir integradamente contra os avanços da direita neoliberal e impulsionar a unidade das forças populares e progressistas e as ações de solidariedade internacional em seu âmbito.

No caso brasileiro, essa interferência do imperialismo se intensificou desde a
descoberta da riqueza do pré-sal e ganhou visibilidade na espionagem da CIA em instituições e empresas do governo brasileiro, reveladas em 2013 – o que levou a presidenta Dilma a cancelar uma viagem oficial já marcada a Washington. Na campanha sucessória de 2014, organismos multilaterais hegemonizados pelos Estados Unidos, como é o caso do Fundo Monetário Internacional (FMI), e veículos da grande mídia, porta-vozes da oligarquia financeira, como é caso da revista britânica The Economist, se imiscuíram indevidamente no debate eleitoral em favor do candidatado tucano. No início de 2015, proliferaram análises nos principais meios de comunicação global, como The Economist, Financial Times ou Time, colocando o Brasil no alvo e até mesmo fazendo ilações sobre a interrupção do mandato da presidenta Dilma.

Em suma, a desestabilização do governo Dilma, embora tenha seguido uma
dinâmica muito própria da luta de classes no país, envolvendo a velha tática da bandeira contra a corrupção, faz parte, inegavelmente, de uma investida mais ampla do imperialismo para tentar derrotar o ciclo progressista em vigor por mais de 16 anos na América no Sul.


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